Tudo muito mais rápido...

Novos tempos, novos comportamentos

Quer tc? De onde? Idade? As perguntas eram básicas em tempos de Internet Relay Chat (IRC). O tipo de bate-papo dominava. Eram milhares de pessoas conectadas, trocando informações, discutindo temas atuais para a época ou até relatando bobagens. Em dia de semana, as salas enchiam após a meia-noite. Era quando o pulso telefônico ficava mais barato. Já no final de semana, a linha era constantemente ocupada pelo uso da Internet. "Filho, desliga um pouco que tenho que ligar para a sua avó".

Do IRC, em 1994, ao MSN, após 2000. A evolução dos softwares e hardwares tornou a comunicação mais fácil.Temos Internet móvel (ainda que problemática em muitas cidades), conexão de alta velocidade, uso da rede sem a linha ficar ocupada. Falta agora popularizar o uso da web, dos computadores... E, gerar consciência do propósito de uma rede dessa dimensão.

Há anos estamos alfabetizando digitalmente as crianças. Muitos dos pais não tiveram esta oportunidade. Ao retornar da escola, eles brincavam de bola com os amiguinhos. Agora, observam os filhos interagirem on-line. No futuro, alguém ainda questionará como era viver sem computador. Talvez ninguém mais saberá responder.

O tempo não mudou apenas a tecnologia utilizada. Fez também o comportamento das pessoas acelerarem alguns processos. Se antes pegar na mão da moça levava dias. Agora, basta um toque no celular para ela(e) entender o interesse. O objetivo das duas ações é o mesmo. Contudo, o meio utilizado não.

NOB Criciúma, do virtual para o real

Por: João Pedro Alves

Criado em 2006 pelo então funcionário da Google Biz Stone, o Twitter se tornou uma febre mundial. A rede social caracterizada pelas mensagens de até 140 caracteres conquistou notoriedade pela agilidade de interação e principalmente por atrair grandes artistas e subcelebridades conhecidas de outras mídias, principalmente a televisão e o cinema. No Brasil, o aumento exponencial do número de usuários ocorreu a partir de 2008.

A comunidade “twiteira” de Criciúma, entretanto, era bastante pequena neste período. Talvez pelo reduzido número de pessoas, os criciumenses passaram a seguir as postagens de conterrâneos, mesmo desconhecidos. E como acontece na vida “offline”, aos poucos se constituía um grupo heterogêneo de internautas.

O empresário e jornalista Mário Soma, proprietário da agência Pólvora, especializada em redes sociais, esteve em Criciúma por motivos profissionais e, pelo Twitter, idealizou e promoveu o primeiro Nerds On Beer de Criciúma. Com a hashtag (palavra-chave facilitadora para pesquisas) #NOBCriciuma, foi gerada a expectativa e levou um bom número de pessoas à sede da Domínio Sistemas, empresa de tecnologia da informação que cedeu a estrutura para o evento.

Apesar dos contatos diários, a qualquer hora do dia, pela rede social, os usuários tinham o desejo e a expectativa de conhecer pessoalmente os “amigos virtuais”. Internautas que interagem com gente diferente de todas as partes do mundo sem conhecer. Pelo menos os que se encontram geograficamente próximos teriam que conhecer.

Encantado com o sucesso do evento, Mário Soma, um dos papas das mídias sociais no país, elaborou uma apresentação sobre o NOB Criciúma. Na estrutura, apresenta a cidade e como a iniciativa foi realizada no dia 17/2/2009. Entre o público presente, constavam boa parte de pessoas que utilizavam a ferramenta para fins profissionais, normalmente por sugestão ou imposição das empresas. A menor parte era de usuários comuns.

A segunda edição do NOB foi realizada em um bar temático (Água Doce Cachaçaria). Por conta da data (uma véspera de feriado de sexta-feira santa) e pela divulgação mais fraca, atraiu um número bem mais inferior. O terceiro encontro dos twiteiros de Criciúma, entretanto, foi grande novamente. Promovido no salão de festas de uma usuária, contou com banda e campeonato de Guitar Hero, um game no qual o jogador é um guitarrista.

Os usuários novamente promoveram e realizaram um encontro aberto para todos os criciumenses twiteiros em 26/2 deste ano. O número bastante superior de adeptos da rede social se refletiu nas diversas caras diferentes no bar La Bodega. O evento atraiu pessoas não só de Criciúma. Um internauta viajou aproximadamente 40 km, de Araranguá a Criciúma, especialmente para conhecer os “amigos virtuais”.

É clichê falar que a internet rompeu as fronteiras da comunicação. A cada dia mais as pessoas conhecem a possibilidade ofertada pela rede mundial de computadores de interagir com pessoas de diferentes partes do mundo. Porém, ao mesmo tempo, amplia-se também, principalmente com as redes sociais, de conhecer gente que vê no dia-a-dia e não sabe de quem se trata.

Fenômeno arroba

Por João Lucas Cardoso (joaolucascardoso@yahoo.com.br)

Ao ser aberta pela primeira vez no dia, a caixa de entrada de esporte@diariodosul.com.br mais parece uma lixeira. Porém, em meio a tantas bobagens, inclusive da mocinha do marketing de uma marca de jeans - que insiste em mandar algo diariamente para editoria de esportes do jornal -, sempre há algo de uma equipe ou atleta de cidades locais que disputaram um campeonato em um canto do Estado. Prova de que a internet transformou qualquer cidadão em agente comunicador.

Há não muito tempo, as páginas esportivas dos jornais retratavam praticamente apenas o futebol local. Por isso, a enxurrada de títulos era sempre a mesma, evoluindo até chegar o fim de semana, quando a equipe profissional local jogava: “Time X quer recuperação após derrota”, “Time X treina para encarar Time Z”, “Time X tenta acertar finalizações”, “Time X intensifica treinamentos” e, por fim, na edição de sábado, “Time X pronto para jogo diante de Time Z”. O momento atual é diferente. O “Time X” chega a ficar em segundo plano.

A transmissão de dados e a comunicabilidade que a internet proporciona fazem com que modalidades esportivas, ora relegadas ao segundo plano, ganhem espaço. Não se trata de uma nova postura dos meios de comunicação, que insistem em velhas fórmulas e parecem dar as costas às novas tecnologias, principalmente os veículos do interior. O que ocorre é que além de cuidar da parte técnica, treinadores e diretores esportivos se viram obrigados a se transformar em uma espécie de assessores de imprensa também, ainda que muito se esforcem para tanto. Em boa parte dos “relises” faltam aspas e sobram elogios. Começar o texto com “aconteceu ontem em não sei onde” parece um mantra.

Até então “donos da informação”, jornalistas ainda se adaptam a este novo esquema e se transformam quase em retransmissores, simplesmente. Deixam de ser transformadores para ser uma parte da engrenagem que faz a notícia ser difundida. Apesar disso, a internet facilitou também a vida de quem não pode deixar sair em branco. As páginas ganham diversidade e o noticiário impresso diário regional se aproxima de sua missão, a de trazer notícias locais. Quase todos os dias é uma briga para conciliar tudo que chega com as notícias do time preferido pelo chefe e atender os apelos dos colegas, que exigem espaço para as equipes que torcem.

Fora do noticiário esportivo, Tubarão tem um exemplo emblemático do poder de comunicação que a internet proporciona e seu consequente aumento no leque de fontes aos jornalistas. Um engenheiro químico de meia idade, já aposentado, resolveu se dedicar ao estudo do clima. Além de frequentar aulas do mestrado, comprou uma estação meteorológica e a instalou no quintal de casa para se aprofundar. Depois, resolveu disponibilizar os dados em um site de amigos que trabalham em outro setor da engenharia. O endereço ganhou tanta notoriedade que hoje dá entrevistas com frequência, basta que um fenômeno um pouco diferente ocorra. Para se ter uma idéia da repercussão da sua iniciativa, o engenheiro químico passou a ser creditado por veículos locais como meteorologista.

Leitura complementar:

Jornalismo em mão dupla, Carlos Castilho (doutorando em mídia e conhecimento no EGC, UFSC), no caderno Cultura, do Diário Catarinense de 8 de maio de 2010.

Bem-vindos

Sejam bem-vindos ao Só Falta o Pedro. Este blog é produzido e organizado pelos alunos Lucas Lemos, João Lucas Cardoso e João Pedro Alves para a disciplina de Cibercultura, da pós graduação em Cibermídia da Unisul, campus Tubarão.

A disciplina de Cibercultura é ministrada pelo professor Horácio Mello.